Laranja Mecânica foi livro escrito para chocar: seja na escrita, seja no enredo. Figurando no rol das distopias clássicas, já mostra em seu título a que veio: pode um corpo orgânico mecanizar-se? O livro nos traz conflitos. É narrado em primeira pessoa por um anti-herói e nos deixa um legado de muitos questionamentos.
FICHA CATALOGRÁFICA
Título: Laranja Mecânica
Autor: Anthony Burgess
Tradução: Fábio Fernandes
Edição: 2ª
Número de páginas: 244
Editora: Aleph
Acabamento: Paperback
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Alex é um garoto de 15 anos bem chegado numa desordem: junto com seus druguis (ou amigos), bebem leite-com (leite batizado com drogas) e sai pelas ruas cometendo crimes e violências diversas.
Sim, você tem motivos para odiar Alex. Violento, rebelde, mente para os pais, que são ausentes: Trabalham o dia todo, acreditam que o filho frequenta a escola e à noite tomam remédios e bebidas para dormir. Mesmo assim, Alex sempre encontra a comida pronta no fogão. Eles moram numa espécie de conjunto habitacional, o que dá a entender que nosso protagonista não é exatamente rico.
Porém ele vive com os bolsos cheios de tia pecúnia (dinheiro), pois comete assaltos enquanto os pais pensam que ele trabalha à noite.
Em um primeiro momento, a linguagem do livro causa um certo estranhamento. As palavras no original foram inspiradas no russo, nos dialetos ciganos e nas gírias dos jovens ingleses da década de 1960. Aliás tem muito do pós guerra no livro: as vestimentas e o comportamento assemelha-se ao movimento punk, e algumas atitudes lembram um pouco o filme "Juventude Transviada", que marcou a era dos Rebeldes sem Causa.
Alex é violento por prazer. Essa é a sua índole. Ele agride e espanca moradores de rua, estupra, comete pedofilia... São cenas que são relatadas pelo Alex como quem relata uma ida à padaria, ou seja, com naturalidade. Para mim isso foi o que mais me chocou. O livro retrata uma Londres em que a violência está à solta e não parte apenas das gangues.
Em um determinado momento, Alex é traído pelos druguis, comete um assassinato e acaba pagando pelo crime sozinho. Condenado a 14 anos de prisão, aparece uma oportunidade para reduzir a pena: ser cobaia em um experimento de ressocialização. O tratamento Ludovico consistia em injetar drogas que causam mal estar e submeter o indivíduos a longas sessões de filmes violentos. A ideia é causar repulsa frente a atos violentos e com isso fazer com que Alex seja curado.
Mas o questionamento que fica: é valido tirar de um ser humano, por pior que ele seja, o seu direito de escolha?
Depois que Alex sai da prisão percebemos como ele vivia numa sociedade violenta. Os policiais são violentos com ele e o governo o usaria como propaganda política.
É difícil discutir a fundo Laranja Mecânica sem falar sobre o seu final. É a partir da saída de Alex da prisão, mais ou menos no segundo terço do livro, é que a distopia fica interessante. É ali que aparecem os conceitos que podem ser discutidos. O poder do Estado, a violência institucional (que já tinha aparecido nas cenas do presídio), e a manipulação às quais os indivíduos estão sujeitos.
É um livro muito interessante, embora muito denso. São cenas pesadas e incômodo. Aliás, Anthony Burgess o fez para chocar. A edição da Aleph teve um cuidado tremendo com a tradução, e até deixou um glossário no final do livro, que eu só consultei em casos de extrema necessidade. O livro mostra a mecanização do indivíduo e discute sobre poder de escolha e violência social. Vale muito a pena ler. Certamente entrou na minha lista de favoritos.
Sempre tive vontade de ler este livro mas nunca consegui começar. Sempre tem os prioritários kkkkk. Muito boa sua resenha, parabéns.
ResponderExcluirwww.pliniobatista.com
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Obrigada! Também o deixei de lado por muito tempo, mas creio que tenha sido bom esperar pela hora certa...
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