15.6.18

Laranja Mecânica | Resenha

Laranja Mecânica foi livro escrito para chocar: seja na escrita, seja no enredo. Figurando no rol das distopias clássicas, já mostra em seu título a que veio: pode um corpo orgânico mecanizar-se? O livro nos traz conflitos. É narrado em primeira pessoa por um anti-herói e nos deixa um legado de muitos questionamentos. 

FICHA CATALOGRÁFICA

Título: Laranja Mecânica
Autor: Anthony Burgess
Tradução: Fábio Fernandes
Edição:
Número de páginas: 244
Editora: Aleph
Acabamento: Paperback
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Alex é um garoto de 15 anos bem chegado numa desordem: junto com seus druguis (ou amigos), bebem leite-com (leite batizado com drogas) e sai pelas ruas cometendo crimes e violências diversas. 
Sim, você tem motivos para odiar Alex. Violento, rebelde, mente para os pais, que são ausentes: Trabalham o dia todo, acreditam que o filho frequenta a escola e à noite tomam remédios e bebidas para dormir. Mesmo assim, Alex sempre encontra a comida pronta no fogão. Eles moram numa espécie de conjunto habitacional, o que dá  a entender que nosso protagonista não é exatamente rico. 
Porém ele vive com os bolsos cheios de tia pecúnia (dinheiro), pois comete assaltos enquanto os pais pensam que ele trabalha à noite. 

Em um primeiro momento, a linguagem do livro causa um certo estranhamento. As palavras no original foram inspiradas no russo, nos dialetos ciganos e nas gírias dos jovens ingleses da década de 1960. Aliás tem muito do pós guerra no livro: as vestimentas e o comportamento assemelha-se ao movimento punk, e algumas atitudes lembram um pouco o filme "Juventude Transviada", que marcou a era dos Rebeldes sem Causa. 

Alex é violento por prazer. Essa é a sua índole. Ele agride e espanca moradores de rua, estupra, comete pedofilia... São cenas que são relatadas pelo Alex como quem relata uma ida à padaria, ou seja, com naturalidade. Para mim isso foi o que mais me chocou. O livro retrata uma Londres em que a violência está à solta e não parte apenas das gangues. 

Em um determinado momento, Alex é traído pelos druguis, comete um assassinato e acaba pagando pelo crime sozinho. Condenado a 14 anos de prisão, aparece uma oportunidade para reduzir a pena: ser cobaia em um experimento de ressocialização. O tratamento Ludovico consistia em injetar drogas que causam mal estar e submeter o indivíduos a longas sessões de filmes violentos.  A ideia é causar repulsa frente a atos violentos e com isso fazer com que Alex seja curado. 

Mas o questionamento que fica: é valido tirar de um ser humano, por pior que ele seja, o seu direito de escolha?

Depois que Alex sai da prisão percebemos como ele vivia numa sociedade violenta. Os policiais são violentos com ele e o governo o usaria como propaganda política. 

É difícil discutir a fundo Laranja Mecânica sem falar sobre o seu final. É a partir da saída de Alex da prisão, mais ou menos no segundo terço do livro, é que a distopia fica interessante. É ali que aparecem os conceitos que podem ser discutidos. O poder do Estado, a violência institucional (que já tinha aparecido nas cenas do presídio), e a manipulação às quais os indivíduos estão sujeitos. 

É um livro muito interessante, embora muito denso. São cenas pesadas e incômodo. Aliás, Anthony Burgess o fez para chocar. A edição da Aleph teve um cuidado tremendo com a tradução, e até deixou um glossário no final do livro, que eu só consultei em casos de extrema necessidade. O livro mostra a mecanização do indivíduo e discute sobre poder de escolha e violência social. Vale muito a pena ler. Certamente entrou na minha lista de favoritos. 

Nota:

2 comentários:

  1. Sempre tive vontade de ler este livro mas nunca consegui começar. Sempre tem os prioritários kkkkk. Muito boa sua resenha, parabéns.

    www.pliniobatista.com
    @pliniobatistabr (Instagram)

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    Respostas
    1. Obrigada! Também o deixei de lado por muito tempo, mas creio que tenha sido bom esperar pela hora certa...

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Ilustração por Wokumy • Layout por